Hospitalidade cristã como resposta ao movimento migratório

Hospitalidade cristã como resposta ao movimento migratório

A terra se move. As estações mudam. Aves, peixes e mamíferos migram em determinadas épocas do ano, e os seres humanos, como o resto da criação, também fazem parte desse movimento.

A questão da migração não é algo contemporâneo, resultado das crises econômicas, conflitos armados, fome, desastres ambientais e de propostas sociais falhas, mas algo presente desde o começo da humanidade, por isso encontramos vários relatos nos textos bíblicos.

Ao lermos as Escrituras, percebemos diversas razões que levaram as pessoas a migrarem nos tempos bíblicos que se assemelham com as de nossos dias:

  • Consequência de suas ações (Adão e Eva em Gênesis 3);
  • Promessa de uma vida melhor (Abraão em Gênesis 12 ou o povo de Israel durante os 40 anos no deserto);
  • Tráfico de pessoas (José em Gênesis 37);
  • Fome (os irmãos de José em Gênesis 46 ou Rute, no livro de Rute 1);
  • Conquistas e invasões (o povo hebreu durante o exílio na Babilônia);
  • Obediência a Deus (Jonas em Nínive ou as primeiras comunidades cristãs em Atos 1);
  • O próprio Deus, ao se tornar um de nós, se identificou com os milhões de crianças ao redor do planeta que chegam ao mundo sem outra escolha a não ser nascer na estrada.

A quantidade de deslocados forçados em 2020 atingiu a marca de 80 milhões de pessoas, segundo a ONU. 68% desta população são oriundas da Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Myanmar. 

No Brasil, de 2010 a 2018, foram registrados 774,2 mil de imigrantes, composto principalmente por pessoas oriundas da América Latina, com destaque para haitianos e venezuelanos. No ano de 2020, houve um aumento significativo de venezuelanos indocumentados entrando no Brasil através de caminhos alternativos devido as fronteiras fechadas, dificultando a contagem exata de migrantes no país.

É muito provável que haja migrantes em sua cidade. Possivelmente você sabe aonde encontrá-los: nos semáforos esmolando, nas calçadas vendendo seus produtos ou mesmo em alguma barraquinha vendendo algum tipo de comida típica. Porém, há uma quantidade enorme deles que estão ocultos aos nossos olhos, e até mesmo de assistência, muitas vezes, pela dificuldade com o idioma, não conseguem acessar serviços básicos como saúde, educação, trabalho etc.

O QUE PODEMOS FAZER PELAS PESSOAS MIGRANTES?

Como cristãos, ser hospitaleiros é algo inegociável, além de ser um mandamento bíblico, o Reino de Deus vai além das nacionalidades, é a redescoberta da alegria de viver em comunidade, de maneira integral, justa, igualitária e misericordiosa (Gálatas 3:28). Em Mateus 25:35-45 nos mostra o cerne do Reino de Deus: “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram”. O Reino se aproxima quando mostramos hospitalidade aos migrantes.

A hospitalidade faz bem a todos. Tanto para quem a recebe, como para quem a dá. A hospitalidade é a graça que rompe nossas barreiras do egoísmo e do medo, e nos prende nesse vínculo de amor quando nos conectamos aos outros; a hospitalidade nos une ao generoso coração de Deus.

Fonte: https://pt.comonacidoentrenosotros.org/

Karen Fernanda Ramos Pereira – mobilizadora da “Campanha Como Nascido Entre Nós” Brasil – Tearfund.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.